terça-feira, 15 de abril de 2014

Moi, a Ervilha e a Austeridade Hormonal ( Saga 1)

Já passaram dez meses desde que o amor incondicional brotou de mim. Ouvem-se opiniões de todo o lado como é difícil ou fácil criar um filho hoje em dia... sim é tudo isso, privação do sono, falta de independência, responsabilidade, irritabilidade, medo, pavor, choro...sentimentos tão controversos e diversos que a imensidão deles é inexplicável. Perdi a minha independência dos copos, dos jantares e dos bares...ganhei um sorriso todas as manhãs, menos horas de sono e uma alegria indecifrável a cada evolução da minha filha. E lá vou eu estando na corda bamba das minhas difíceis hormonas ...chora e ri...ri e chora...e no final é tudo amor.
No entanto, lá tenho ido a uns jantares com amigos, não prolongo é muito a noite... porque tudo pode ser feito com conta e medida( apesar de às vezes nos apetecer soltar a franga lol).

Já li artigos de todas a espécie sobre bebés, sobre mães, sobre tanta coisa com que me identifico e outras não, claro. Pensei tantas vezes escrever esta minha experiência como tantas outras pessoas fazem, mas nem sequer me conseguia sentar na cadeira para gritar algumas palavras de ordem... É FENOMENAL...SOCORRO...QUE LINDA JÁ TEM UM DENTINHO...todos estes sentimentos que são novos, mas para nós, passaram a ser a nossa alegria diária... ainda hoje, passados dez meses, fico horas a olhar a minha filha a dormir e como é bom...

Sou daquelas mães que imaginava que ia ter vergonha de dar mama em público e depois devido à necessidade PUMBA, é dar mama em qualquer lugar. Não me preocupei muito com estas ondas que fazem em torno da amamentação...e aqueles comentários perdidos que nos enterram lá em baixo...Será que o teu leite é bom??? Ainda chega??? Será que é suficiente para a menina??? Eu se fosse a ti deixava de dar de mamar???...mãe sofre...principalmente se têm umas hormonas tipo eu... pareço um vulcão a bufarrrrr...

... tirei leite no trabalho e guardei-o, e quando me perguntavam o que ia fazer... eu respondia no gozo "Vou descobrir a vaca que há em mim"...Nada como cortar o mal pela raiz e deixar os outros espantados para nem sequer poder haver um comentário... Claro que é um transtorno, andar de bomba e sacos de congelação atrás, sair a meio do trabalho e ir ali bombar um bocado, mas olhem, se faz bem à minha filha, qual é o stresss??? Nenhum, "na pas" e "siga para bingo".

Agora sou mais uma mãe desempregada, porque isto de ter filhos tem destas coisas boas em PORTUGAL... Mas esqueçamos esta lamentação...senão não estava aqui a escrever...

As roupas, troquem entre vocês, é o que fazemos aqui, a Maria empresta à Jaquina, que empresta à Manela...e assim está tudo arranjado, poupa-se uns trocos, mas só uns trocos...porque o pessoal vai passear ao Shopping e vê as lojas de criança, e ZUMBA, lembra-se de entrar lá para dentro...depois ouve-se aqui a JE "Ai amoriii, que coisa tão lindaaaa, ficava mesmo bem na ervilha, vamos levar." E PUMBA, 4 "aeuros" aqui, 4 "aeuros" ali...e vem a conta e quase caímos de cuuuuuu... Não se esqueçam que tudo dura meses...e o que comprei há um mês já não serve... O meu Jaquim já diz assim para a filha "É pá, pára lá de crescer que esta roupa tem de te dar até aos 18 anos" eheheheh.

Os avós, os avós são a nossa bengala, é roupinha para ali, comidinha para acolá...ou maravilhosa BENGALA... estão sempre prontos para o colinho...Apetece-me gritar...OH DOCE E MARAVILHOSA BENGALA... eles até os podem estragar com os mimos...mas são muito importantes nas nossas vidas, pelo menos a minha  ervilha tem a sorte dos 4 avós que tem. Aqui estou a esquecer que quando querem são uns chatarrões lolol A menina isto, a menina aquilo...olha tu vê lá a menina... porque nós ainda somos pequeninos aos olhos deles para tomar conta da miúda lol

Eu...deixou de haver o eu... o eu que tomava banho numa hora....que ficava horas ao espelho a trocar de roupa para sair de casa, o eu esbelto ...o "Espelho meu, espelho meu... o quanto bonita sou eu" lol, agora somos duas, logo o meu espaço de tempo ficou um tanto limitado... já me aconteceu de tudo...costumo a dizer que a minha filha me levou a minha inteligência toda... 59 minutos para ela e um minuto para mim... fora que muitas vezes me acontece coisas como, sair de chinelos de casa, ou despenteada ou meio calçada...Ou então ... a bela cagada de repuxo que se instala na parede...mesmo na hora da saída...ou uma mijadela... Uiiiiiii lá vêm as hormonas bufar....O que vale é que gosto de rir de mim...lol

No inicio dormia, comia e chorava...cólicas, soluços e dores que eu não sabia curar...Inventei músicas para os soluços irem embora, fiquei noites sem dormir, outras adormeci sentada,chorei e ri, fiquei dislexica...corri, saltei, cantei... não tirando o valor do PAI porque o PAI é PAI em letra grande porque faz e vive a par comigo cada momento da vida da nossa filha. Criei BAR MILKA... bar que decifrava as horas em claro...lembro-me de uma altura em que estive cinco dias sem dormir ( porque de dia não conseguia e à noite era ela que não deixava)...chorei esgotada e lá fui descansar a cabecinha ao pediatra, descansei a cabecinha e o bolso, 70 aeuros...Muito boa pediátrica sim senhor, adorei, mas 70 mocas são 70 mocas...e lá vim descansada do coração... com a receita na mão "cuidar de mim"...




terça-feira, 30 de abril de 2013

Meu anjo de Esperança

Tem sido uma batalha... daquelas que rimos e choramos de alegria e ansiedade...
...E cada momento que passa, eu sinto que deixei de ser eu... e passei a ser nós...
... Tudo em mim foi modificando... à medida que cresces dentro de mim...
...És desejo....Sonho...Esperança...Amor de Verdade...
És o aroma da primavera, chilrear dos pássaros...Imensa cor de um Jardim...
E à medida que o tempo encurta...anseio ter-te em meus braços...
... e ver-te crescer...dentro do meu olhar...
... Meu anjo de esperança...minha felicidade...
... Que eu possa embalar-te por toda a eternidade...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O tempo de Margarida

É um corre corre... uma luta constante...fecha-se uma porta...e vem uma réstia de ar da janela...
...entre um dia e outro,mais ou menos brilhante...fecha-se a janela e vem mais uma porta...e a semana passou...sem que deixe lembranças no respirar da manhã noite que de ciclo, nasceu e acabou...
...É um corre corre... uma aflição...uma alegria...uma gargalhada...uma discussão...e o relógio não pára...o mês acabou...sem suster a respiração... o tempo minguou...

terça-feira, 26 de junho de 2012

Trechos da Vida da Margarida

Já passaram trinta e tal anos e dou por mim, actualmente a realizar os sonhos de criança...aquelas pequenas coisas que queríamos ter e por motivos que na altura nos eram alheios, não podíamos...Acordei de manhã e quando fui tomar duche...vi a banheira cheia de brinquedos...veio-me à memória a primeira vez que tive uma banheira,a minha alegria...de ter uma  piscina em casa...um sentimento de euforia...
... e pensei como o príncipe cá de casa, brinca e nada, como se estivesse a mergulhar no mar...aventuras, barcos...com o mesmo gosto que eu tive quando mergulhei pela primeira vez, mas com sentimentos tão diferentes...
Quando olho para ele a sensação é dar-lhe tudo o que não tive...e vê-lo radiante...da mesma forma que eu me iria sentir se me acontecesse...
Todos os dias passeamos o cão, damos de comer aos peixes, à tartaruga...Gritamos bem alto para sair as coisas menos boas...e cantamos...acreditando que cada dia é um milagre...e em cada momento nosso me revejo em criança...
Não consigo deixar de pensar nas inocentes frases que me dizes..." Tia, eu sei que não tens muito dinheiro, mas se comprares mais dois peixes...eu prometo que tomo conto de ti quando fores mais velhinha" soltei a gargalhada...Caí na realidade...e lá fomos nós comprar dois peixes laranja...que ele achou que eu estava maluca quando os escolhi...não me arrependo...não reclamo...porque este momento...deixou-me mais um sorriso...e um final de dia...de esperança...Como diria o António Gedeão:
"Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança."

domingo, 3 de junho de 2012

Certamente muitas foram as palavras que ficaram por dizer... Sempre foste a pessoa com quem partilhei o meu livro espontâneamente...sem sequer pôr em causa a tua confiança...sempre te dei de mim de uma forma meio estranha... sentamos olhamos um para outro e conversamos...isso é a amizade pura...aquela que não se encontra na mesa de um bar ou numa eventualidade qualquer...Compreendes a minha mudança de vida, como a água...Talvez corra demais...e perca com o tempo tantas coisas boas que já conheci...Mas no final de contas saberei sempre que quando te encontrar de novo, olhamos um para outro e conversaremos como se nos tivéssemos visto ontem...

terça-feira, 20 de março de 2012

Um Abre Olhos

Ao contrário de tantas outras vezes em que expelia a raiva que outros lhe conduziam...
Aquela raiva que sentimos rebentar o corpo e nem percebemos...se nasce pelo princípio ou já pelo fim...amainou e esperou... que o vento que abruptamente fazia dançar as árvores, fosse correr para outras bandas...Mas em si ficou aquele aperto na garganta que a tira do sério...e a faz esquecer a racionalidade das coisas...
...Pelo soar da música que ouve...tudo aquilo que trouxe da condução da raiva, está em guerra na sua mente...e desse modo sem que a consciência comande...essa raiva se espalha sem sentido para os lados...e sem que se perceba se cruza uma teia de... raivas... sem sentido..."TA PARIU" ...Moral da História se te conduzirem à raiva não a conduzas e proliferes por aí...como diria a outra "Respira fundo e conta até dez" para que essa raiva que causam pelo prazer de ver o outro mergulhado ...não se espalhe numa corrente...e te deixe pior do que aquilo que já se sente.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Trechos da vida da Margarida

Ando um tanto meio confusa com esta sociedade...

As pessoas procuram incansavelmente ser melhor...aos olhos dos outros, ou por pura imagem...
...a mim isso é simplesmente uma comichão que me dá e eu coço...
...que me importa o que digam de mim...que me importa o quanto me fazem sofrer...que me importa  a dor que me causam...eu sou assim e serei sempre eu... não posso fugir do que sou...que me importa que me apontem o dedo...digo o que tenho a dizer e não guardo nada para levar para casa...
Darei sempre uma gargalhada por mais pequena que seja...e não há um dia em que não sorria, por dentro ou por fora...porque a vida é uma música que se não se agarra... deixa de tocar...
...Não posso lamentar o dia e torná-lo pior, tenho que avançar...e esquecer...
...e todos os dias em mim...são melhores quando ao entardecer chego a casa e tenho quem me ama, quem me pegou no colo...esperando a minha chegada...que importa a imagem, que importa o que pensam, que importa o dinheiro...importa sim a família... e o quanto em família somos grandes...